• Gabriel Henrique

Destrinchando a conta de luz

Está na hora de você aprender quais critérios são utilizados no custo da sua conta de energia



Foto de poder360.com.br


Hoje em dia, nota-se que há cada vez mais pessoas procurando maneiras de economizar dinheiro e equilibrar as finanças pessoais. Nesse contexto, a conta de energia é apenas uma das diversas faturas que muitos recebem ao final do mês e como consumidor, você tem o direito de saber ao menos básico do que há por trás deste documento.


A conta de luz nada mais é do que um meio de comunicação entre você e sua distribuidora de energia e este artigo vai te ensinar como é feito o cálculo, como funcionam as tarifas e qual o papel da agência reguladora e das empresas de distribuição.


Antes de começar precisamos falar um pouquinho sobre regulamentação


Hoje em dia, a distribuição elétrica no Brasil, se dá em grande parte, por meio de empresas do campo privado, mas nem sempre foi assim. Por muito tempo o controle desse setor foi uma atribuição estatal, entretanto, o cenário mudou durante o governo FHC, quando houve uma política de fomento às privatizações. Nesse contexto surgiu em 1996, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com a finalidade de regulamentar e fiscalizar o mercado.


A Aneel é um órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia e suas atribuições são inúmeras, dentre elas, podemos destacar:


  • A realização de leilões públicos para geração e transmissão;

  • Fiscalização da conta de luz que chega até você;

  • Incentivar a competitividade do setor;

  • Promover reajustes;

  • Gestão de contratos.


Para acessar a lista completa de competências da Aneel, basta clicar neste link.



Tarifa x Preço


A tarifa é o valor dado pela produção, distribuição e transmissão de energia. Enquanto que o preço é a tarifa somada com os impostos e por conta disso, o valor pago em uma conta pode sofrer flutuações com o tempo.


A produção de energia no Brasil é, em grande parte, obtida por meio de hidrelétricas. Devido a essa dependência de um recurso natural, fatores externos como uma seca podem interferir na oferta, aumentando o valor da tarifa e como consequência afetando no valor cobrado da sua conta de energia. Até mesmo fatores econômicos, tais como recessão e inflação também podem interferir no preço final.


Uma questão importante é que o valor da tarifa não é único para todo o país, e isso ocorre devido a Lei nº 8.631/93, que estipula que o valor da tarifa é fixada pela concessionária que administra a região.


Na prática, isso quer dizer que a conta de luz de uma pessoa em Pernambuco, difere do valor pago em São Paulo e isso se dá porque cada região do Brasil tem autonomia para escolher a empresa responsável pela distribuição de energia.


Tipos de tarifas


Existem diversos tipos de tarifas no Brasil, uma delas é a tarifa branca, a qual estipula uma diferença de valores cobrados em determinados horários do dia. Existem três categorias de horários para a cobrança dessa tarifa: ponta, intermediário e fora de ponta.


O horário de ponta é aquele em que as redes de distribuição estão sendo utilizadas de forma mais intensa, já os períodos fora de ponta são aqueles em que o consumo de energia é mais baixo, ou seja, a capacidade máxima das linhas de transmissão está longe de ser atingida.


A adesão ao sistema branco é algo opcional do consumidor e a solicitação deverá ser atendida pela concessionária em até 30 dias. Ao optar por esse plano, o cliente tem que ter ciência de que o seu consumo ocorre, majoritariamente em períodos fora de ponta, pois caso contrário, essa modalidade poderá acarretar num aumento do valor da conta de luz.


Outro tipo vigente no Brasil é a tarifa social. Ela foi criada pelo governo federal com o objetivo de oferecer descontos às populações de baixa renda. Esse benefício aplica desconto de forma cumulativa aos primeiros 220 KWh consumidos, de acordo com a seguinte tabela:













Isso quer dizer que esta tarifa também prioriza o consumo moderado, pois com o aumento gradual do valor em KWh, menor é o valor do desconto.


Para ter direito a esta modalidade, é preciso que a pessoa se enquadre em um dos seguintes requisitos:


  • Ser inscrito em programas sociais do governo federal, com renda mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo;

  • Famílias inscritas no CadÚnico com renda mensal de até três salários mínimos, que tenham alguém com doença ou patologia que precise do uso contínuo de aparelhos elétricos;

  • Idosos com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiências, que recebam auxílio de prestação continuada da assistência social.


Para mais informações sobre a tarifa social, bem como as formas de solicitá-la, clique neste link.


Bandeiras Tarifárias, o que são e para que servem ?


Certamente, você já deve ter encontrado este termo em jornais, programas de TV ou até mesmo na sua conta de luz, mas o que elas significam, na prática ?


O sistema de bandeiras começou em 2015, como uma iniciativa da Aneel para mitigar o consumo de energia durante momentos de racionamento.


Para podermos compreender melhor, vamos fazer uma analogia com maçãs. Em épocas de boas safras o preço pago em uma maçã é menor, enquanto que em momentos de escassez o produto acaba ficando mais caro, o mesmo ocorre com a energia gerada.


Durante períodos chuvosos, a capacidade de operação das hidrelétricas é maior, portanto, o custo pago em uma conta de luz se mantém constante. Porém, em momentos de falta de chuva estes sistemas sofrem dificuldades de operação e por consequência a geração de energia se torna mais difícil. Dessa forma, torna-se necessário fazer uso de outras fontes de produção, como as termelétricas que além de serem mais poluentes, possuem um custo de operação maior.


E foi justamente para compensar o aumento nos custos de produção que em 2015, a Aneel decid iu criar o sistema de bandeiras. Ele por sua vez, possui três categorias que fazem uma analogia às cores de um semáforo.


Como é feito o cálculo ?


Todo imóvel, possui um relógio medidor de energia elétrica e é por meio desse aparelho que as empresas conseguem estipular o consumo mensal de uma casa. Para isso, a concessionária envia um leiturista à residência com a finalidade de obter os dados de consumo em KWh. Após isso, é calculada a diferença entre o que foi consumido no mês anterior, com o do período atual.


Então se no mês de janeiro o gasto foi de 100 KWh e em fevereiro o valor aumentou para 101 KWh o valor resultante foi de 1 KWh.


Agora, precisamos entender como podemos calcular esse consumo mensal de KWh em um imóvel. O consumo mensal é a soma das potências em KWh de todos os equipamentos que há na residência. O valor dessa soma deve ser multiplicado pelo número de dias relativos ao período de leitura da concessionária que, em geral, varia de 27 a 33 dias dependendo da companhia elétrica.

Com esse dado em mãos, é possível estimar o valor da conta de luz. Para isso basta multiplicá-lo pelo valor da tarifa mais impostos.


Todo equipamento elétrico possui uma potência em Watts (W). Geralmente o valor gasto em potência vem estampado nas embalagens.


Vamos imaginar que uma casa possua os seguintes aparelhos:










Para estimarmos o consumo mensal dessa casa precisaremos converter os valores em KWh e depois multiplicar pelo número de dias do mês.

  • Chuveiro elétrico >> 3600 W x 1 hora = 3600 Wh

Para converter o valor em KWh, basta dividi-lo por 1000, logo o valor consumido em um dia pelo chuveiro elétrico é de 3,6 KWh.

  • Lâmpadas incandescentes >> (80W x 4 horas) / 1000 = 3,2 KWh

  • Geladeira >> (200W x 3 horas) / 1000 = 0,6 KWh

  • Total = 4,52 KWh

  • Gasto por mês: 4,52 KWh/dia x 30 dias = 135,6 KWh/mês

Agora, vamos supor que naquela região o valor da tarifa residencial seja de R$ 0,60. Logo o valor cobrado na conta será de R$ 81,36 (135,6 KWh x R$ 0,60).


Sabemos que esse valor está longe de representar a realidade. Uma casa possui inúmeros aparelhos elétricos, alguns consumindo mais potências, outros menos… Mas com o exemplo acima é possível ter uma ideia de como funciona este cálculo.


Existem diversos fatores que podem influenciar no gasto de energia, alguns deles estão sobre o nosso controle, como diminuir a quantidade de lâmpadas acesas, controlar o tempo no chuveiro, entre outros… Mas existem aqueles que não conseguimos influenciar, as bandeiras tarifárias são um exemplo disso, elas estão sendo acionadas com frequência e isso só mostra que a questão energética vem se tornando uma pauta cada vez mais importante no Brasil.


Neste artigo procuramos explicar o básico de como pode ser feito o cálculo de consumo e também mostramos um pouco da história do processo de regulamentação, o papel da ANEEL e os tipos de tarifas.


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